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O novo contexto da produção da "Galinha Caipira"

  • 13.10.2016

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O que é uma galinha caipira?

       A velha galinha conhecida como “pé duro”, “caipira” ou  de “fundo de quintal” é a galinha criada a solto, nos terreiros, exercitando-se e selecionando ao mesmo tempo o tipo de alimento. Historicamente tem um prazo maior de produção de carnes e ovos, com baixa produtividade em relação à avicultura industrial, caracterizando-se como uma produção saudável.
      A produção de galinhas caipiras perdurou por muito tempo nas fazendas brasileiras, mas ficou restrita aos pequenos produtores, que utilizam aves de baixa produção e de baixo nível técnico.
      Segundo a Embrapa, tradicionalmente as criações domésticas de galinha caipira, praticadas nas unidades agrícolas familiares, se caracterizam pela sua forma de exploração extensiva, na qual inexistem instalações, bem como, a adoção de práticas de manejo que contemplem eficientemente os aspectos reprodutivos, nutricionais e sanitários. Tal fato resulta em índices de fertilidade e natalidade reduzidos.
      A alta mortalidade das crias, principalmente nas primeiras semanas de vida, aliada a um baixo desempenho das aves, caracteriza uma atividade de baixa eficiência produtiva. Os problemas sanitários também representam um obstáculo ao sucesso da atividade, além de consistirem em uma fonte potencial para disseminação de doenças em função da convivência das aves com outros animais ou com pessoas no mesmo ambiente. Todos esses fatores tornam a criação de galinhas caipiras uma atividade incapaz de satisfazer as necessidades alimentares das famílias e, muito menos, de gerar lucro.
      Apesar dos problemas apresentados, a galinha caipira contribuiu para melhorar a alimentação das famílias (de baixa renda no meio rural), e muitas vezes auxilia como parte da renda na economia familiar.

      MUDANÇAS

      Atualmente, a produção de galinha caipira mudou. As aves chamadas de caipiras são marcas que foram geneticamente trabalhadas, selecionadas e adaptadas. Essas aves passaram por programas de melhoramento genético para a fixação de alguns parâmetros produtivos e, ao mesmo tempo, para reduzir as características indesejáveis, como o choco, passando a compor, ao longo do tempo, um sistema de criação que permite maior produtividade.
      O programa de seleção das aves para serem criadas em sistema caipira procurou encontrar um ponto de equilíbrio entre o passado e o futuro e entre a rusticidade e a produtividade, apresentando aves com potencial de produção de 270 a 300 ovos ao ano.
      As aves especializadas para produção de carne também foram selecionadas para a produção, com a vantagem da comercialização de um produto diferenciado, com melhor remuneração por parte do mercado consumidor.
      O novo sistema de produção de galinha caipira requer melhoria nas instalações, novos equipamentos, higiene, melhorias no manejo sanitário, uma ração apropriada para as novas vertentes produtivas para a galinha caipira, lembrando que esta produção é mais rústica que a galinha de granja, mas requer os mesmos manejos e cuidados.
      A ave caipira tem o período de criação mais longo, cerca de duas vezes superior ao das aves industriais, com produção de ovos e carne menores, mas o produto diferenciado é de alta qualidade e, cada vez mais, conquista consumidores exigentes, principalmente os consumidores urbanos. Atualmente o sistema de produção de galinhas caipiras apresenta a seguinte classificação, de acordo a sua função econômica: para produção de ovos (poedeiras), para produção de carne (corte) e dupla aptidão (carne e ovos).
      A produção de galinhas caipiras tem investimentos relativamente baixos e instalações de fácil construção, com técnicas simples de manejo. A criação caipira tem se mostrado lucrativa, principalmente para pequenos produtores, pois tem a vantagem da comercialização de um produto diferenciado, com boa procura e melhor valor de comercialização.
      Também tem se mostrado uma ótima alternativa para pecuaristas de corte e leite que desejam agregar mais uma atividade animal em sua propriedade.

      MÃO DE OBRA

      Caso o pecuarista tenha problemas com a mão de obra, a dica é utilizar as mulheres. Durante viagens pelo Brasil, tenho observado que os produtores pecuaristas ao criarem galinhas caipiras têm como mão de obra as esposas dos peões das fazendas. Estas senhoras têm histórico de “roça”, adquirem uma ocupação, passam a ter renda, melhoram sua dignidade, e o melhor: o trabalho nos galpões não interfere nos afazeres domésticos. Em muitos casos, os produtores oferecem participação na produção.

      MANUAL

      Há pouco tempo, uma empresa com sede na Bahia lançou o Manual Prático Crie Galinha Caipira. O objetivo é atender uma demanda do setor e colaborar com a melhoria dos processos da produção de galinha caipira . Nele, o produtor conhece o planejamento das instalações de um galpão básico de produção, manejo sanitário com as principais etapas de vacinação, além do manejo geral da granja e nutricional. Consta também no manual uma planilha de custos e investimentos para montagem de sua futura granja.
      Atualmente, a população urbana busca um resgate de suas raízes rurais, e a produção de galinhas caipiras e seus ovos saudáveis é uma ótima oportunidade de negócios.

Guilherme Augusto Vieira
Professor de Medicina Veterinária da Unifacs (Universidade Salvador - BA) e Unime (União Metropolitana de Educação e Cultura - BA) Médico veterinário e coordenador da Qualyagro - Farmácia na Fazenda Colunista de O Presente Rural

  • Fonte: www.opresenterural.com.br

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